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Vida de asceta
Correr. Meditar. Suo a camisa, a transpiração
aparece como uma oferenda aos deuses, e retomo, a
cada prova, às inóspitas agruras do corpo em
extremo movimento, esfacelando minutos e segundos
inocentes. São os momentos os nossos únicos
cúmplices, presentes na solidão da chegada, e
ressuscitados depois, pela insistência das
lembranças, num vaguear de mérito e vitória.
Talhar o caminho, chão adiante, é bem obra deste
grupo de artesãos do ânimo e de peregrinos
intrépidos, que, mais do que os bornais -
lembrando os antigos viajantes, sempre
conquistadores do tempo e da terra. levam em si os
limites do seu mundo. Vivem a carrear as próprias
pernas, o coração, o volume do oxigênio, os
vaivéns da respiração, em direção à mais sublime
condição humana. Não se fiem nas aparências os Que
olham, com olhos comuns, esses atletas... Monges
no pensar, ascetas ria disciplina, poetas ao
descansar do esforço, alquimistas na superação,
são eles, em caravana, que passam. São como a
própria pele as suas vestimentas, e afogueada a
sua mensagem de apologia à saúde. As minhas
palavras, aqui despedidosas dos leitores, aspiram
a tingir - tão como assim o carmim e o açafrão
impregnam tecidos e beberagens . , as idéias de
quem ainda não veste a camisa - ou seria o hábito?
-, e ofertam uma singela homenagem aos que já
desbravam os asfásticos caminhos da superação
física e do auto-aprimoramento.
Viviane Anetti Risse Caldeira.
Corredora 5Ways.
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